Terapia Gastronomica

Comendo para preencher o vazio.

Birthday Cake!

o gosto amargo do vício

Eu realmente acho que eu sou viciada em chocolate. Eu fico mal sem comer nenhum chocolate. No desespero, eu como toddy puro mesmo, boto uma colher cheia num potinho e vou comendo aos pouquinhos. Isso é tipo fumar uma bituca de cigarro já apagada, comparando vícios e seus níveis. É, eu sou uma chocólatra.

Eu acho que chocólatra de verdade come chocolate amargo, ou pelo menos meio-amargo, até porque, é comprovado que sacia mais, não lembro porque, mas eu juro que já li isso em algum lugar. Ok, não é por isso que eu acredito que o chocolate amargo que é o verdadeiro sustento do vício, mas é um argumento supostamente válido, posso falar que li na Veja ou vi no Fantástico e tá tudo bem. Na real, eu só acho que o amargo é o verdadeiro chocolate. Continuando a mesma linha de comparação, ele é o filtro vermelho dos chocolates, o ao leite é o filtro branco (você fuma também, mas não é a messssma coisa, não te sacia tão fácil), e os com firulas, recheios, frutas, castanhas, paçocas (!), são os cigarros mentolados, não é pra viciado de verdade, o que não significa que você seja obrigado a não gostar ou não consumir.

Hoje eu me peguei num cold turkey, pedi pra minha mãe, que já ia ao mercado, comprar uma barra de meio-amargo pra mim, mas durante o dia, já tremendo, entrei nas Lojas Americanas e comprei um Talento amargo com castanhas do pará, que tinha um tamanho digno para aguentar o tranco até mais tarde (ou seja, não era apenas um bombom mas também não era uma barrona, já que não havia necessidade de tanta quantidade - teria mais chocolate mais tarde, o da minha mãe). As castanhas do pará são saudáveis, e daí me fez sentir melhor em comprar o chocolate, tipo pedir Big Mac com Coca Zero.

A questão é, tentei comer só dois quadradinhos, e quando eu dei conta, tive um daqueles momentos onde você se vê meio jogada, com seu objeto de desejo já estraçalhado, mãos sujas, cabeça vazia, enfim, na sarjeta. A abstinência não é o melhor caminho, na real, ela que te leva ao caos interno que quando se liberta, vira a decadência. Creio que a melhor solução seja as doses homeopáticas, meio tristes, singelas, que vão te mantendo vivo em sua simplicidade.

Essa reflexão toda não me leva a nada. Largar o chocolate é complicado quando ele não dá câncer e tem antioxidantes. Ninguém vai me ouvir dizendo que meu nome é fulana, minha idade, e, com um olhar envergonhado, assumir o vício. Nestlé, eu sou garota. Me contrata.

roberta sudbrack vendia cachorro quente, tá?

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/872111-arrogancia-gastronomica-causa-a-volta-da-comida-sem-frescura.shtml

Sem assumir lados aqui, todas as comidas são boas (menos banana ok) e todas merecem o mesmo amor.

Mas..só sei que li essa matéria e eu só queria um PF lindo daqueles que fala no cardápio que é pra dois, mas dá pra sete. Num daqueles lugares que, no Rio, você é eventualmente incomodado por pagodeiros de rua ou jogadores de capoeira tentando uns trocados. Amigo, traz um chopinho aqui pra gente.

(perdoem a foto tosca, mas é meramente ilustrativa, sem pretensões)
Meu cunhado fez propaganda pra mim dessa massa de pizza integral. Ele tem uma vibe natureba e eu, que tenho entrado um pouco nessa onda e gostado, decidi arriscar, por mais que pizza e palavras como light, saudável, integral, não combinem nem um pouco.Pra mim pizza é aquele negócio cheio de queijo gorduroso que você pede terça-feira (ou quando tá chovendo muito e você tem certeza que o cara da Domino’s vai atrasar, e logo, vai ser de graça) para ver filme jogada no sofá, e nem ousa mexer no controle remoto da tv porque seus dedos estão nojentinhos do óleo que escorreu e passou pelo guardanapo. Ew.Mas e pizza integral, com mussarela light, funciona? Bom. A princípio parece que não, a massa é muito grossa (eu não curto, particularmente), e tem um cheiro meio esquisito.  Mas você faz em 10 minutinhos (mais rápido do que a Domino’s chega), e o manjericão tem poder, arrancar uma boa quantidade do maço com vontade e espalhar com jeitinho salva o tal aroma esquisito e vamos combinar, manjericão nunca é demais <3No fim das contas, fica bem delicinha (imagino que mais pra quem curte e está acostumado com massas integrais) e dá um certo alívio acabar de comer e seus dedos estarem sequinhos, te leva a pensar que sua barriga vai ficar assim também.Uma pena não terem lançado uma massa fina dessas ainda.Passou perto. 

(perdoem a foto tosca, mas é meramente ilustrativa, sem pretensões)

Meu cunhado fez propaganda pra mim dessa massa de pizza integral. Ele tem uma vibe natureba e eu, que tenho entrado um pouco nessa onda e gostado, decidi arriscar, por mais que pizza e palavras como light, saudável, integral, não combinem nem um pouco.
Pra mim pizza é aquele negócio cheio de queijo gorduroso que você pede terça-feira (ou quando tá chovendo muito e você tem certeza que o cara da Domino’s vai atrasar, e logo, vai ser de graça) para ver filme jogada no sofá, e nem ousa mexer no controle remoto da tv porque seus dedos estão nojentinhos do óleo que escorreu e passou pelo guardanapo. Ew.
Mas e pizza integral, com mussarela light, funciona? Bom. A princípio parece que não, a massa é muito grossa (eu não curto, particularmente), e tem um cheiro meio esquisito.  Mas você faz em 10 minutinhos (mais rápido do que a Domino’s chega), e o manjericão tem poder, arrancar uma boa quantidade do maço com vontade e espalhar com jeitinho salva o tal aroma esquisito e vamos combinar, manjericão nunca é demais <3
No fim das contas, fica bem delicinha (imagino que mais pra quem curte e está acostumado com massas integrais) e dá um certo alívio acabar de comer e seus dedos estarem sequinhos, te leva a pensar que sua barriga vai ficar assim também.
Uma pena não terem lançado uma massa fina dessas ainda.
Passou perto. 

Angústia

Preciso de ajuda. Sou viciado em comida. Em comer, antes de tudo. Antes de cozinhar e muito, muito antes de me nutrir. Pra mim, comida é tudo menos nutrição. Não como pra me nutrir, da mesma forma que não transo pra reproduzir. Se comida tem nutrientes dos quais meu organismo precisa pra funcionar, não quero saber. E não simpatizo com nutricionistas.

Aprendi a cozinhar só pra me fartar dos meus desejos. Com o tempo, tomei gosto pela tarefa, mas ainda assim jamais cozinharia se eu não pudesse comer no final (e durante também). Cozinhar é sexo, comer é o orgasmo. Se eu quiser só do último, como coisas prontas, feitas pelos outros, pelas máquinas. As máquinas às vezes são tão boas quanto os outros e às vezes são até melhores. Se eu quiser a experiência completa, eu cozinho e, no final, gozo.

Se colocassem uma arma na minha cabeça e me obrigassem a decidir de qual dos dois, sexo ou comida, eu abriria mão pro resto da vida, não teria nem o que pensar. Só comeria. E quando tivesse desejos sexuais, comeria de novo. Até porque, depois de transar, todo mundo fica com fome; mas depois de comer, ninguém tem vontade de trepar. O que prova que comer é mais forte.

E também vale pra pornografia. Pornografia gastronômica. Eu sou tão pervertido quanto qualquer maníaco sedento que coleciona sites de pornografia nos favoritos e toca punheta o dia todo. Eu penso em comida o dia todo. Termino de almoçar pensando no que vou lanchar à tarde e no que eu vou jantar. Agora mesmo mentalizo o que pode sair da minha geladeira. Como com uma mão e clico com a outra, teclo uma tecla de cada vez. E o que me difere de um punheteiro qualquer? Bem, eu posso ver minhas fotos de comida na frente de qualquer pessoa. E meu orgasmo é mais intenso.

Não tenho preconceitos, não tenho restrições. Como de tudo. Tenho particular preferência por doce bem doce, porque gosto de gostos agudos. Não gosto de coisas suaves. Gosto de doce que desce rasgando, condimento, pimenta, doce misturado com salgado, frutas e carnes exóticas. Tem comida processada que é uma maravilha e tem alta gastronomia que é um lixo. Detesto arrogância gourmet, sommeliers já são idiotas o suficiente.

Pois eis quem eu sou. Sou uma fruta, um queijo, uma carne. Sou um figo, romã, gorgonzola, gruyere, coentro, curry, páprica, pato, cordeiro e coelho. Caramelo. Cozinha italiana, francesa, judaica, árabe, exótica, oriental. Comida da roça.

Penso bem e não sou a comida. Sou a fome. Uma boca que mastiga e engole. Bom, nem sempre mastigo, porque também prezo pelos cremes e caldos. E nem sempre engulo, porque eu também falo e, como quase só falo de comida, quando pronuncio, de certa forma também tenho a comida na boca.

Já não sei se sou a comida, o comer ou a fome. Não sei também se existe diferença, existe?

A ajuda da qual eu preciso é essa: QUERO MAIS COMIDA! Minha mente tem seus limites, meu estômago, não. E aí? Já estou há quinze minutos em jejum!  Preciso saciar a minha fome, preciso preencher esse vazio!